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  • Foto do escritorLua Pche

Perda dos sentidos

A noção que temos de “bom sentimento” é, em alto grau, resultado de um processo histórico. Os afetos tiveram seus contornos borrados e seu domínio confundido com o das paixões fúteis, do irracional e também do feminino. A repressão coletiva do afeto da psique na nossa história nos deixou com a sensação de “perda”...


A perda é a principal característica do sentimento hoje. Perdidos, sem saber como sentir, o que sentir, porque sentir ou até mesmo se sentimos. Sentir é preciso, mas não é garantia de que se está correto. Ainda bem que a questão não é estar certo o tempo todo, mas evoluir.


Entrar em contato com o sentir também não te tornará descontrolado emocionalmente, muito pelo contrário! Validando, experimentando os sabores, acolhendo, não julgando vamos realizando que nem sempre o que nos aguça são motivações nobres, mas às vezes bem infantis. O infantil merece cuidados, apesar de que, em muitos casos, aprendemos que devemos ser tão rígidos com nós como foram outros, em outros tempos.


Podemos estar vivenciando a sombra do nosso passado afetivo, presos em ciclos confusos ou destrutivos. Estar ciente e se debruçar para mapear os sentimentos nos torna mais livres. É como dirigir na chuva sem limpar os vidros (muito perigoso). Mas se temos visão, por mais cinza e fria que seja a paisagem, podemos ajustar nosso ritmo, em respeito a própria vida.


O sentimento é como água, vai e vem em marés. Sejamos pescadores, nesse caso…


Arte: Eri Nakagawa.

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