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Cabe a cada um decidir

A mente humana é uma verdadeira maquininha criadora de realidades. E cada um carrega seu próprio universo. Mas se analisarmos o contexto que nos envolve, o que entendemos hoje por “bom” e “ruim” é fruto de uma construção histórica sobre a moral e ética. Pela ótica individual, cada um tem um conceito bastante único do que é bom ou ruim para si e para os outros. Muitas vezes nos sentimos aprisionados por esses conceitos, sem movimento na vida, sem conseguir encontrar o que nos toca.


O que existe dentro, existe fora. O que existe fora, existe dentro. Se você odeia alguém, está negando a existência de partes de você representadas por aquela pessoa na sua psique.


Privando o outro de existir na sua mente, você acaba se privando de formas de vida que, com balanço, poderiam te trazer aprendizado. O atrito é real, a discordância é real. Haverão pessoas na vida que vão bradar absurdos a poucos palmos do seu rosto ou lhe darão a mais dura ausência. Elas passam a existir não somente ali, fisicamente, mas psicologicamente como marcas, como fantasmas que gritam, pelo lado de dentro da mente, quando você pensa em arriscar uma solução ousada, fora da caixinha. Precisamos de ferramentas melhores para lidar com isso se não quisermos uma polarização estraçalhante, em casos extremos. Uma boa ferramenta nesse caso é fazer as pazes com a diversidade das formas da vida.


A projeção que fazemos diante da realidade é uma via de mão dupla, é como se a mágica da coisa acontecesse entre pessoas, o encontro é poderoso e modificador. Perceber que estamos distantes do que nos move verdadeiramente é assumir que por conta disso, estamos oprimindo uns aos outros. Falar sobre isso é como jogar uma lanterna na imensidão escura dos mistérios da mente. Oprimimos uns aos outros pois nos oprimiram e aprendemos que para amar, é preciso punir. Punir para que os outros ao seu redor sejam o mais convenientes possíveis, ágeis, úteis, otimizadas… A má notícia é que na realidade as pessoas não têm a obrigação de serem assim, e a boa notícia é que… nem você.


Use o pior atributo disponível para seu autoconhecimento. Isso significa assumir suas partes que se identificam, por falta de opção melhor, com as figuras opressivas. Esteja cada vez mais consciente de como isso modula sua vida. Às vezes nos privamos de possibilidades sem nem entender bem o porquê.


Permitindo formas diferentes de vida, permitimos a nós mesmos muitas possibilidades.


Arte: Eugenia Mello.


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